quinta-feira, 23 de julho de 2009

Bagagem pesada!

Parada estou e aqui me encontrarei pelos próximos 45 minutos. Faz mais sentido dizer que tento curar o tédio da espera escrevendo, do que afirmar que salas de aeroportos continuam sendo uma inspiração pra mim. E olha que eu quase escrevi essa falsa sentença...e frases insinceras nada mais são que a tentativa de preencher a falta ou a busca da inspiração.
Se você se pergunta o que eu faço aqui agora (faria mais sentido perguntar para onde eu vou) eu te responderia com outra pergunta. Minha presunção estúpida faria questioná-lo por qual razão eu gostaria que você se perguntasse, afinal a viagem é minha e tudo o que eu preciso é só de um pouco de sua atenção. Parece meio óbvio que num aeroporto se espere por algum avião, mas eu te digo que estou esperando por muito mais que isso...Espero por uma tranqüilidade e, principalmente, simplicidade de espírito que há pelo menos 15 dias, desde que cheguei no Brasil, eu não sinto. Não sei se é a energia carregada do país ou se é o ritmo agonizante da cidade de São Paulo que parece sugar e cansar quem vive aqui. No geral, o que posso dizer é que as coisas aqui me irritam profundamente. A pressa, a angústia, a mentalidade, a competição doentia, a necessidade de estar em evidência, a vaidade desenfreada, o falso glamour.
A sociedade paulistana tem algo que me faz lembrar aqueles clipes de abertura do programa Amaury Jr. que, por sinal, me irritam muito também. Acho que nesse aspecto eu posso até generalizar. As pessoas nesse país aprendem desde cedo a valorizar o que é superficial deixando de lado assuntos relevantes. Por isso é tão patético ver aqueles sorrisos congelados de garotas plastificadas e siliconadas diante das câmeras. Parece que elas acionaram um radar para os flashs e disparam sorrisos aleatórios. É tal cultura tupiniquim de novela que eu sempre me refiro.
Não estou voltando para Europa, nem para os Estados Unidos, China ou Japão. Hoje meu roteiro é Salvador, estou indo ao encontro de minha família, afinal matar a saudade é bom. Se isso responde alguma pergunta (olha eu de novo achando que você tem algum interesse ou questão a fazer), talvez lá eu encontre um pouco dessa simplicidade rara aqui. Não que a Bahia seja muito diferente do que eu descrevi há pouco, mas o ritmo desacelerado (isso é fato!) dos baianos parece ter protegido as pessoas do desvario paulistano. O baiano é um povo que trabalha para ser feliz. É um tipo de ambição controlada, que existe para garantir a cerveja e as baladas do fim de semana. Os desesperados acabam vindo pra cá...Eu, como boa baiana que sou, estou no caminho contrário!!

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