quinta-feira, 4 de junho de 2009

CHINA PRA QUE TE QUERO....

Você já imaginou ter que ficar sozinho do outro lado do mundo? Se você tiver planejado, tudo bem, mas no meu caso estava fora de todas as previsões. E como era de se esperar (melhor dizendo, não era) aconteceu comigo!
Hoje, escrevendo sobre isso parece engraçado - principalmente depois que eu percebi ter sido uma experiência única na minha vida - mas no momento em que me vi diante da situação foi meio apavorante. E quem não ficaria? Eu estava em Hong Kong, numa cidade onde o pouco inglês que se fala é algo meio complicado de se entender, acreditem!
Estava na China há mais ou menos duas semanas, quando o Paulo (meu companheiro de viagens) precisou ir ao Japão. Para quem não sabe, todo brasileiro que quer ir à Terra do Sol Nascente precisa de visto pra entrar no país; faz parte de uma política de reciprocidade e eles exigem uma série de documentos para a emissão. Bem...a primeira vez que fui a Tokyo, acreditem ou não, eu entrei no país sem visto, mas isso não vem ao caso já que dessa vez eu nem cheguei a embarcar.
Chinês é um povo gentil, alegre, mas extremamente metódico! O que deveria ser um problema da imigração japonesa tornou-se um problema da companhia aérea chinesa. Tudo bem que neste caso não era a dona da razão, mas tenho que ressaltar que, quando você viaja com passaporte brasileiro, todo funcionário em qualquer empresa aérea do mundo, sempre irá checar minuciosamente se você tem permissão para entrar nesse ou naquele país. Isso acontece sempre e não adianta você ter cem carimbos de um mesmo lugar; eles sempre irão checar com um certo tipo de critério, digamos....criterioso!
Depois de muito stress lá estava eu, com todas as minhas malas tendo que fazer o caminho de volta para o hotel. Não dizem que quem está na chuva é pra se molhar? Pois eu estava no meio de uma tempestade, sem muitas opções e muito, muito longe de casa. Peguei o trem até a estação e de lá um táxi até o hotel onde estava hospedada. Se tem uma coisa que eu aprendi nessas viagens a China e ao Japão foi a linguagem dos sinais. Além dessa técnica, tenha sempre em mãos o cartãozinho com o nome e endereço do hotel. Sempre funciona. Pelo menos funcionava até aquele dia, que acordei com o pé esquerdo; o que me fez parar num hotel da mesma rede, no mesmo bairro, mas definitivamente em outro endereço. Como explicar isso em chinês? Nem eu sei como consegui.
Mímica pra lá, “inglês chinês” pra cá, consegui voltar pro mesmo quarto de hotel onde estava antes. Quando não há muito que fazer diante de uma situação, a melhor saída é tentar tirar proveito dela, não é verdade? Pois foram seis dias maravilhosos onde conheci lugares maravilhosos em Hong Kong e de um jeito especial. Sozinha? Claro que não! Para quem estava lá há duas semanas e eu tinha tido tempo suficiente para fazer amigos e não posso deixar de registrar aqui o carinho e amizade da Ivy Chan, uma chinesinha de ouro de quem eu recebi uma atenção que só os grandes amigos ou pessoas de grandes almas são capazes de oferecer. Mas essa história não acaba por aqui.....ainda tenho muito o que escrever sobre a China e sobre os momentos em que me senti a mais descomprometida das criaturas andando sem rumo pelas superlotadas avenidas de Hong Kong, enquanto todos dormiam no Brasil. Detalhes que merecem uma atenção especial e que por isso eu irei deixar para próxima!

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